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TAMANHO DA FONTE

23/01/2018 • 07h13

RESENHAS DE UMA HISTÓRIA EM MOVIMENTO: “MUDAMOS O NOSSO DESTINO”

O sócio-diretor Alcides Braga conta como conheceu Flavio Santilli.

NOS conhecemos em 23 de julho de 1980, em uma situação que já era o indício do que aconteceria em nossas vidas: um ajudando o outro. Mas antes de contar como foi o nosso primeiro contato, vale você saber um pouco sobre o que passamos até nos encontrarmos.

Nunca fui de brincar. Jogar bolinha de gude, pião e soltar pipa não eram o meu forte. O trabalho sempre me atraiu mais. Antes dos 10 anos de idade, me diverti sendo engraxate, vendedor de pamonha, sorvete, vidro, jornal, leite, fazendo carreto na feira, até iniciar minha carreira formal, aos 14 anos, como office-boy nos Diá­rios Associados, de Assis Chateaubriand, mas logo rumei para o setor de onde não sairia mais.

Porém, tive de, literalmente, suar para ingressar na Randon. Meu irmão viu um anúncio informando que a filial de Guarulhos estava contratando, e fui lá fazer a ficha de cadastro para concorrer ao cargo de office-boy. Vendi cinco ou seis garrafas para conseguir o dinheiro da passagem do ônibus; no entanto, acabei descendo no ponto errado e tive de andar a pé debaixo de um calor fortíssimo, pois como eu só tinha dinheiro para ida e volta, não dava para pegar outro transporte.

Mesmo chegando pingando no processo seletivo, deu tudo certo, e comecei a escrever minha história na maior referência de implementos rodoviários do Brasil em 5 de fevereiro de 1980, ou seja, quando tinha 16 anos.

Flavio chegou cinco meses depois para atuar como auxiliar de escritório. Na época, ele tinha 23 anos e já tinha trabalhado em uma fábrica de ferro e aço em Guarulhos e como caixa em um banco na Casa Verde, e foi parar na Randon por indicação de seu irmão mais velho, que fazia parte da equipe de vendas. E adivinha quem ficou responsável por levar o novato para conhecer a empresa e todos os departamentos? Sim, eu mesmo, e naquele dia, inclusive, levei-o ao setor responsável por emissões de notas fiscais e apresentei-o para Juraci. O Flavio, por sinal, sempre destaca que “no mesmo dia ele conheceu o melhor amigo e a esposa”.

Hoje, quando me recordo dessa época, tenho a impressão de que tudo já conspirava para termos nos tornado o que nos tornamos. Além de nossas funções iniciais na Randon serem totalmente interligadas, ou seja, um dependia do outro para executar as tarefas, simpatizamos logo de cara um com o outro, e, naturalmente, foi nascendo uma bela amizade. Tanto é que, menos de dois anos depois de termos nos conhecido, o Flavio me ajudou a comprar meu primeiro carro: um Fusquinha vermelho, 1968. Lá eu já percebi que, sempre que precisasse desse cara, ele estaria comigo me dando força.

E foi assim, um apoiando o outro, que fomos adquirindo conhecimento e experiências significativas na Randon até que, em 5 de novembro de 1984, o Flavio teve um atrito com um superior e foi demitido.

Permaneci até 15 de dezembro de 1986 e também saí após uma incompatibilidade com a mesma pessoa.

Antes disso, porém, resolvi, em 1986, abrir uma confecção de roupas na Vila Galvão com meu ex-chefe da Randon, e depois uma lojinha no centro de Guarulhos. Essa experiência como dono do meu próprio negócio me trouxe um grande aprendizado: só invista em algo que você domina completamente ou que é inédito. Como não era nem uma coisa e muito menos outra, obviamente não consegui prosperar, mas classifico esse “fracasso” como divisor de águas, crucial na minha vida.

Em seguida, fui ser representante comercial da De Nigris (concessionária Mercedes-Benz) e depois exerci a função de supervisor nacional de vendas da FNV (Fábrica Nacional de Vagões, que pertencia ao grupo Engesa e que depois foi vendida à Iochpe-Maxion). Eu estava muito bem nessa época, ocupava uma posição de destaque, me reportava diretamente ao diretor-geral, mas faltava algo; ainda não me sentia preenchido, algo me dizia que meu destino me reservava outros desafios – só não sabia que seriam tão grandes.

Surgiu, então, uma oportunidade (se bem que acredito que oportunidades não surgem, é você que as cria). Em abril de 1991, recebi o convite do Fernando Panissa, que conheci ao longo da carreira no setor e que tinha uma indústria de baús de caminhão em Ibiporã, no Paraná, e tinha acompanhado meu trabalho na FNV especialmente. Ele tinha uma filial dessa empresa na Vila Guilherme, zona norte de São Paulo, que não deslanchava, e ele achou que eu fosse a pessoa indicada para fazer aquilo funcionar melhor.

Ele tinha o desejo de não ter mais vínculo com o negócio em São Paulo, mas ser uma concessão, pois não estava dando certo ser filial. Convidou-me para trabalhar com ele por um ano, e, após esse período, eu ficaria com aquele ativo para mim e continuaria sendo um dealer (distribuidor) dele aqui em São Paulo, sem vínculo com a filial. Pedi demissão da FNV. O que me motivou a pedir demissão? Foi o desejo de empreender, a vontade de vencer e buscar novos horizontes.

Iniciei esse trabalho lá com a missão de potencializar o negócio. Começamos propositadamente com uma equipe de três vendedores sem experiência, pois pretendia formar os profissionais a meu modo. A meta era chegar à média mensal de 30 baús vendidos, multiplicando por seis a quantidade de costume. Em um mês já tínhamos cumprido o combinado. O rápido sucesso não foi fruto de milagre. Quando cheguei, o pessoal estava acomodado com a quantidade vendida. Apenas tracei um objetivo claro, mostrei que era possível, e conseguimos.

A Metalúrgica Paulista, porém, não comportou a disparada no volume de vendas e teve de se desfazer da filial de São Paulo. Diante da dificuldade, decidi ficar com as instalações, nas quais só era possível reformar baús – e não fabricar novos. Como eu não dominava a parte técnica, chamei o Flavio, que prontamente aceitou o desafio. Nascia assim a Truckvan!

 

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